27 fevereiro, 2009

Change, move, go






De volta à mudança, ao movimento, ao modo de estar "em andamento". Frenético e desgastante, foi esse o ritmo que a levou de novo para um novo além-fronteiras. Nova cidade, novo país, nova língua, novo mundo. Ironicamente, o "cá longe" pareceu agora mais perto, mas nem por isso mais fácil...

Well, let's go!

26 fevereiro, 2009

Karneval in Köln, 2009



AS DUAS, UM ANO DEPOIS... DE FOLGA


O QUE FAZEM AS DROGAS


O "ZUG" (COMBOIO DO DESFILE) QUE DISTRIBUÍA DOCES... E EU, A APANHÁ-LOS TODOS


UM MENINO VAI À ESCOLA... ÀS 3 DA MANHÃ


UM CROCODILO...


UM SAPO-PRÍNCIPE


COLEGAS DE MEDICINA DA REPÚBLICA CHECA


UM BRANCO DE NEVE


O CHEFE... MASCARADO DE CRISE FINANCEIRA - É FAVOR REPARAR NA CASINHA NO TOPO DO CHAPÉU, O SECTOR IMOBILIÁRIO

EU QUERIA TER SERVIDO AS CANECAS DE UM LITRO, MAS ESTAMOS EM COLÓNIA, NÃO NA BAVIERA...



UM BRINDE AO CARNAVAL DE COLÓNIA!

03 fevereiro, 2009

Menschen

Nem sempre é fácil lidar com elas.

29 janeiro, 2009

Home

Essa tal mobilidade dos jovens.
No seu sentido literal, pensando em malas que vão aumentando e sendo transportadas a cada "xis" meses, pode cansar. Cansa, de facto.
Mas compensa, mesmo que por um único mês nos sintamos bem em CASA.




(Logo esta, que até fica na "Rua convicta, n.º 7")

18 janeiro, 2009

Aquele medo


O espaço entre as palavras, de tanto se alastrar, condensou-se. De repente fazem-se balanços entre palavras escritas e ditas. Olham-se os meses de relance para os dividir em partes. Partes de aventura, de nostalgia, de hesitação, de sol, de frio, de regresso, de tensão, de medo. Cada uma delas floreia as letras com que se escrevem as palavras. As palavras descritivas dos desafios que vão passando.



Começou por um começo floreado, um arranque merecido, um medo abafado pelo desejo de voltar a sentir a conquista do desconhecido numa terra, já de si, feliz. E a sensação de dever cumprido e de aprendizagem fez crescer a vontade de permanecer nesse desconhecido. A vontade arrasta a força. E só essa força conseguiu aguentar as duas estações do ano com luz em ritmo decorado, repetitivo, cansativo até dizer fim. Quando a força esgotou, disse-se fim para recuperar a força de começar algo de novo.



Voltou a compensar a decisão, mas não o peso de toda a hesitação e cansaço para tomá-la, sozinha. E aprende-se a confiar no nosso interior, por meio desse isolamento, por vezes em forma de solidão. Dizem que é assim... para o bom ou para o mau, com tudo se aprende.



E se cresce.



Cresce-se para ambicionar, para tentar, conquistar por vezes, cresce-se para dar de caras com verdades difícieis de acreditar, para acinzentar as cores, para ficar perto e longe, aos saltos, aos poucos, para ganhar consciência de algumas coisas e ganhar pressão sobre outras. Entra-se no ciclo do mais e mais e mais longe, para se ver quem não olha a limites, quem não olha a meios, quem não olha a princípios.



E dentro do ciclo reduz-se e aumenta-se o espaço entre palavras, as palavras que descrevem ínícios, recomeços, novas decisões, novos desafios, novos medos.



Que, no ano que entrou, "se for para perder, que seja o medo."


30 novembro, 2008

Depois de ir para o ar


Os músculos relaxam,
a garrafa de água está quase vazia,
desejo continuação de bom dia ao técnico,
só depois reparo que ainda seria "boa noite".
São 07:07 da manhã, Domingo na redacção portuguesa da Deutsche Welle,
essa "voz da Alemanha" que eu levei ao ar com um sorriso de sono.
Chove miudinho,
ou diria chuva-molha-parvinhos lá fora,
um ploc-ploc que dissipa as dúvidas: por enquanto não neva.
Tiro da máquina o meu leite com chocolate de sempre,
atravesso a parte ao ar livre do edifício,
arrepio-me da cabeça aos pés,
molho os óculos com a humidade e tento caminhar depressa.
Corro para o quentinho da redacção e vejo www.wetter.de,
para então entender:
Três negativos.

Ou positivos, consoante a perspectiva.

29 novembro, 2008

Winter

O Inverno tem esse sabor de gelo na boca, que arde nas gengivas, esse vento cortante que faz os olhos chorar. Mulheres elegantes, altas e loiras, enfiam gorros na cabeça, pompons nas orelhas, cachecóis bem aconchegados ao regaço. Vê-se que conhecem bem o frio do Norte.
Nos mesmos dias em que chove essa alegria de poder desfrutar de um Inverno onde ele pertence, com os capuccinos em copos descartáveis que levamos para aquecer a curta espera do tram, nesses mesmos dias corta-me o vento com saudade: das várias camisolas vestidas dentro de casa, pantufas bem quentes, cheiro a lenha queimada na lareira... alentejana.

Saudade que se esquece - ou que se adia;
patins nos pés a deslizar sobre uma pista de gelo, "algures na Europa central". Dêem-me a mão, façam-me rir, gritar, estatelar-me no chão, com pequenos flocos a saltar do pavimento para o gorro e a ponta do nariz. Tirar fotografias para revê-las em filmes românticos de Natal. Quero esticar a mão para ser levantada e abraçada. Sentir os músculos da cara bloqueados pelo frio, um beijinho na ponta do nariz para recuperar a sensibilidade.
Quero patinar em frente à árvore de Natal de Rockefeller ou no Central Park, da minha cidade.

Um frio que gela, quando tão bem poderia aquecer.


28 novembro, 2008

Weihnachtsmarkt in Bonn

Ele é muito bonito, este mercado de Natal. Como todos os que enfeitam a Alemanha ao longo do Advento.



Mas cheira a Leipzig...

20 outubro, 2008

Um dia na capital económica, em tempos de crise




Münsterplatz, fim de dia de Outono com sol


Na esplanada que me acolhe em momentos de introspecção, bebo o meu sumo de cereja-banana (KiBa) e recordo esse domingo.

Resolvi ir até Frankfurt. Ou melhor, no que diz respeito ao "ir", fui com quatro pessoas que não conhecia. Já aqui escrevi que me tornei fã do site www.mitfahrgelegenheit.de. Do site e da mentalidade. Indicar local de partida, destino e data. Surgem os contactos dos condutores dos carros, com horas e indicações. Desta vez no entanto, para o horário que eu queria, surgiu-me um contacto de uma senhora que comprou um Wochenendeticket. Um WE-Ticket é um bilhete de comboio de fim-de-semana, que custa cerca de 30 € e com ele podem viajar até 5 pessoas pela Alemanha fora, dentro desse fim-de-semana. Para a dimensão de Portugal seria (ainda mais) paradisíaco, mas a Alemanha é grande; não dá para ver tudo num fim-de-semana à velocidade dos comboios regionais.



Liguei à senhora, perguntei se havia lugar para mim e anotei mentalmente: "sou pequenina, magrinha e tenho um grande nariz". Anotei o sorriso telefónico também.

Lá fui para Colónia às 10 da manhã. Bona foi a capital, mas a verdade é que tudo se concentra em Köln. Não me importo com isso, mas senti-me burra porque acabámos por passar por Bonn na mesma. Nada há-de solucionar o meu inexistente sentido de orientação.

Estava à hora certa em Köln Hauptbahnhof, na linha 9 B-D. Mas não via a senhora pequenina e magrinha. Vi um rapaz muito estilo beto clássico, cabelo loiro puxado para trás com brilhantina, camisa e sapatos a brilhar também. Parecia desorientado. Tirei a música do ouvido para ouvir o que dizia ao telefone: "Já aqui estou na linha 9, mas não a vejo...".

Ah, bom! É dos meus, então. Segui-o e encontrei o grupo dos cinco. Cada um com o seu "coffee to go" na mão, um frio de gelar o nariz e as pontas dos dedos e assim entrámos no comboio. Fizemos logo as contas para evitar chatices (que a Alemanha é um país civilizado, mas aldrabões há em todo o lado). Paguei 7 €, ao contrário dos 40 € que o comboio "convencional" (embora mais rápido) pedia.

Portanto lá estava o beto clássico, estudante de economia (sentia-se-lhe o crash nos olhos!), a senhora magrinha e pequenina que ia visitar a filha a Bayreuth (que eu não faço ideia onde fica) e mais duas raparigas: uma com ar de russa, cabelo no ar, livro em inglês, telefonemas numa língua claramente de leste; e uma outra, loirinha, relaxada e sorridente, que tinha um aparelho para endireitar a perna.

Conversámos o essencial no início. O alemão não faz "small-talk" por fazer. Não há cá conversas sobre o tempo, até porque ele raramente muda. Então, pouco depois, três liam, outra ouvia música e aqui o piolho... dormia.

Mudámos de comboio em Koblenz. Aí já me senti a viajar. Não conhecia o estado, as paisagens. E até as carruagens eram diferentes. De maneira que aí deu para cada um de nós ficar à larga num conjunto de quatro cadeiras. Menos eu, que preferi ficar com a loirinha do aparelho na perna. Parecia muito simpática. O discurso foi o mesmo de sempre:

Sobre mim: "E és de onde mesmo, em Portugal?", "Só cá estás há dois anos e já falas alemão?", "Gostas da Alemanha?" (como se não fosse suposto) - e a parte que eu mais gosto: "Na Deutsche Welle? Nada mau."

Sobre ela, também o discurso típico da alemã-não-alemã: viveu uns meses na Nova Zelândia, foi visitar uma amiga a Colónia, agora ia visitar uma outra a Frankfurt e depois voltava para a sua formação de fisioterapia. Mais tarde? "Nova Iorque, para já. Quero conhecer o mundo."

Acabámos por adormecer as duas com o silêncio das carruagens alemãs sobre os carris. A pouco mais de meia hora de Frankfurt, achei que já chegava de dormir. Até que de repente entra um senhor na carruagem e senta-se ao pé da senhora magrinha e pequenina. Tinha daqueles carrinhos que muitas pessoas mais velhas usam por aqui, cheio de papéis. Não percebi de imediato se era um mendigo ou uma pessoa vulgar, tinha barriga e barba grandes. Logo confirmei que era meio formado, meio maluco (para os padrões alemães, entenda-se), quando se virou de repente para a senhora pequenina e magrinha e perguntou, do nada:

- Desculpe, posso fazer-lhe uma pergunta? O que pensa desta crise financeira?

Aqui o piolho, a russa e a típica alemã-não-alemã ficámos logo com pena da senhora pequenina e magrinha, que percebemos ter ficado atrapalhada. "Não penso nada, porque não percebo".

Resposta errada. O senhor estava a escrever um livro sobre o assunto e via-se que estava muito irritado por a crise (que ele já teria previsto) ter rebentado antes de o livro ser publicado. A partir daí, assistimos a um seminário de crise financeira até Frankfurt, com críticas severas ao governo alemão. Lá pensava o piolho: critique, meu senhor, até conhecer quem governa aquele país para onde você gosta de ir no Verão. É que se o seu país se afundar, não pense que pode ir para lá trabalhar.

Isto, repito, porque estou convicta que eu e a Frau Angela Merkel vamos salvar o mundo.



Chegámos a Frankfurt. A alemã-não-alemã tinha a amiga à espera na Hauptbahnhof, que por sua vez tinha bilhetes de metro de grupo e me levou à estação da Feira do Livro para eu não pagar. Prático, não? Segundo a teoria da minha Mãe, "quem é que não quer ajudar essa carinha redondinha?"

Quanto à Buchmesse em si, a tal "maior feira do livro do mundo", devo dizer que fiquei tonta com a dimensão. E recorde-se: por 12 Euros. Torres e mapas e postos de informação e pessoas - muitas pessoas. O país convidado era a Turquia, o que no fundo deu à feira uma imagem da Alemanha tal qual ela é: loiros e altos misturados (ou não) com peles mais escuras e véus islâmicos.



Como se na redacção não me sentisse já suficientemente "na terra", decidi ir ao pavilhão da literatura portuguesa. Numa das editoras do país da saudade reconheci a cara do proprietário, provavelmente de um dos stands da calorosa feira do livro de Lisboa, onde outrora distribuí panfletos até mais não poder, para juntar dinheiro para o meu Erasmus em Leipzig. Logo aí, achei irónica a situação.

Mas mais irónica foi a abordagem que fiz ao tal senhor. Depois de pegar num livro que seleccionava os melhores poemas de Fernando Pessoa, perguntei o preço, que o senhor teve de consultar. Logo se dirige à sua colega, bem portuguesa, e ri-se como quem esfrega as mãos, dizendo "já fiz um negócio". (Recorde-se que a Feira do Livro de Frankfurt começa a ser conhecida pelas presenças, muito mais do que pelas vendas). Resolvo perguntar se "está tudo a correr bem". A senhora apoia o queixo na mão, cotovelo sobre a mesa, e desabafa "Já estamos fartos disto, queremos ir para Lisboa".

Bom, preferi não comentar. Logo se aproximou uma senhora alemã, com um livro na mão, e perguntou em alemão "quanto custa?". O senhor olha para mim com um autêntico ar de sem-pachorra e pergunta-me, A MIM, "o que é que ela 'tá prali a dizer???".
Não quis acreditar, mas resolvi sorrir e responder à senhora, não fosse ela pensar que todos os portugueses são assim.

Ainda perguntei ao senhor se estavam a trabalhar em conjunto com as editoras brasileiras, que tinham os seus stands mesmo ali ao lado. Mas ele bem (mal) me respondeu que "não temos nada a ver com eles". Eu disse que achava estranho, porque a cobertura jornalística dava uma ideia de união entre as editoras. "Não, não..."

Quem vê uma pessoa assim e generaliza, pensa que o português está de mal com a vida.

Bom, o senhor lá põe o meu livro num saco e diz todo gabarolas "que até leva aqui uns presentes". Lápis, caneta, régua. Começa a ferir-me a susceptibilidade. Nem com óculos me levam a sério? Como uma adultinha - ou vá, uma adolescente grande?

E à sua última pergunta, sobre o que eu estava a fazer aqui na Alemanha, não resisti a tentar pela última vez:
- Eu trabalho cá como jornalista. E por isso lhe perguntei sobre a cobertura da feira, porque a Deutsche Welle esteve cá e provavelmente falou consigo.



Arregalou os olhos. Que bem que me soube vê-lo aflito.

- Sim, esteve cá um rapaz... - disse ele, já cheio de convicção.
- Pois foi, o meu colega Márcio.

Como, de repente, senti que falava sozinha perante a perplexidade dele (provavelmente por achar estranho um piolho português já trabalhar), desejei-lhe continuação de boa feira e fugi para os pavilhões de literatura... dos Países Baixos. Diga-se, dos lá de cima.



E a propósito: voltei para Bonn numa outra Mitfahrgelegenheit, desta vez de carro: um BMW a percorrer as estradas alemãs sem limite de velocidade. Ida por 3 horas e meia a 7 euros, volta por 1 hora e meia e 14 euros. Em tempos de crise, não me posso queixar. E foi um dia sui generis, para relembrar ao sabor de cerejas e banana.


24 setembro, 2008

"A Saudade não deixa o tempo passar".

Uma compra de valores


Já cheira a folhas caídas no chão. Os casacos e as botas saíram do armário. Os dias estão curtíssimos, para o Setembro que conhece. E ocorre-lhe: ainda não tinha passado um Setembro inteiro aqui.

Quanto mais tempo passa, maior se torna a relação com as raízes. E mais raízes começa a conseguir criar neste novo solo. Se pudesse, transportaria metade do que há aqui para lá, e metade de lá para aqui. As diferenças são assustadoramente grandes. E não passa tanto pela quantidade de precipitação, como todos rotulam. Mais pela História, pela forma como a educação se forma e pela relação que se tem, forçosa ou instintivamente, com as pessoas.

E por isso traria o sorriso do sul, mas a sinceridade do norte. Com a franqueza do norte, mas a delicadeza do sul.
Traria as mesas cheias, de casa, para os horários que aqui fazem render o tempo.
Traria as cores, as roupas, as malas no lugar das mochilas. Mas vestiria tudo isso com discrição e uma auto-confiança que aqui se encontra por dentro e não por fora.
Levaria a pontualidade, o rendimento, a organização extrema, a vontade de ser capaz e a importância do trabalho - para colocar tudo numa caixa de flexibilidade, bem lá no sul. Para poder dizer "não me apetece" sem ser etiquetada de preguiçosa.

Trá-los-ia todos, de lá para aqui, para verem como é simples viver e ser eficaz ao mesmo tempo. Mas também os levaria nem que fosse por uma hora lá para baixo, para reverem as suas prioridades.

Traria sem dúvida a espontaneidade, o momento vivido quando ele ocorre e não quando foi planeado.

Levaria a qualidade de vida e o reconhecimento. Sem dúvida, levaria o civismo e o respeito - pelas outras cores de pele, pelo trabalho dos outros, pelas idades inferiores, pelos recém-licenciados.

Traria a saudade, a nostalgia e a melancolia para junto deste enorme interesse por outras culturas, como lição de um país que sofreu na pele as consequências da discriminação.
Procuraria, algures, a solução para o balanço extremo em que aterrou e de onde não sabe sair, pois todos os dias se sente mais parte dos dois sítios e de nenhum.

E levaria a família sempre consigo. Com animais, almofada, ruídos, cheiros, refeições e banhos incluídos. Em qualquer estação do ano, para qualquer canto do mundo.


16 setembro, 2008

Há Dois Anos


o passarinho voou pela primeira vez cá para cima!


10 setembro, 2008

Pesa

Desperta com aquele som agudo e repentino, desliga e descansa mais uns minutos. Os passos são pesados, os olhos semi-abertos, ouve-se o ruído dos carros numa rua cinzenta a combinar com o céu. Mexe-se em piloto automático nestas viagens pendulares que, tão afortunada, experimentou tão tarde. Saudosa do seu lar no centro da sua cidade.
As pernas pesam, os ombros endurecem, as datas marcam-se para mais um compromisso. Desafios, ideias, pendências. Não sobra tempo para beber ou comer sem olhar para o relógio, pensar no que tem de ser feito. Pelo meio, no que se quer fazer.
São assim as cidades, o trabalho, tudo aquilo que não conhecia desta forma. As pernas pesam, o ar aperta, o tempo não resta, a voz não comunica. Anseia por liberdade.
Mas há força para encarar essa velocidade, essa agressividade. Porque se vive.
Ainda que com despertador, existe um acordar diário. E aí reside o valor da vida.

Portanto não faz mal.

28 agosto, 2008

Little brave girl

A notícia apanhou-nos de surpresa. Pela revolta do "porquê" com dezenas de pontos de interrogação. Por ser uma pessoa tão meiga e generosa, pela delicadeza da voz, pela postura frágil mas cheia de força. Uma força determinante.

Impensável estar indiferente. Estou longe, mas a lembraça acompanha-me diariamente.
Porque nestas alturas o senso comum da medicina não faz sentido. Quantas vezes esta doença cruel invadiu quem sempre fez tudo segundo as regras?

Perdão, invadiu não. Todos sabemos perfeitamente que isso ela não vai deixar. Pensemos então que as coisas acontecem por alguma razão. Ao aceitá-las e enfrentá-las, está grande parte do caminho percorrido. Mesmo que eu não seja ninguém para imaginar esse caminho.

Só queria entregar a minha solidariedade, em mais um momento que faz ver que é ingrato estar longe.

Usa a força interior de que falavas: há-de ser suficiente. Porque determinada e corajosa já todos vimos que és!

Tira isso daí com garras de leão. O resto é secundário :-)
Beijinhos muito grandes, aqui de perto.


24 agosto, 2008

Os comentários do vizinho



LISBOA, 21 sep (IPS) - Indicadores económicos y sociales periódicamente
divulgados por la Unión Europea (UE) colocan a Portugal en niveles de
pobreza e injusticia social inadmisibles para un país que integra desde 1986
el 'club de los ricos' del continente.
Pero el golpe de gracia lo dio la evaluación de la Organización para la
Cooperación y el Desarrollo Económicos (OCDE): en los próximos años Portugal
se distanciará aún más de los países avanzados.
La productividad más baja de la UE, la escasa innovación y vitalidad del
sector empresarial, educación y formación profesional deficientes, mal uso
de fondos públicos, con gastos excesivos y resultados magros son los datos
señalados por el informe anual sobre Portugal de la OCDE, que reúne a 30
países industriales.
A diferencia de España, Grecia e Irlanda (que hicieron también parte del
'grupo de los pobres' de la UE), Portugal no supo aprovechar para su
desarrollo los cuantiosos fondos comunitarios que fluyeron sin cesar desde
Bruselas durante casi dos décadas, coinciden analistas políticos y
económicos.
En 1986, Madrid y Lisboa ingresaron a la entonces Comunidad Económica
Europea con índices similares de desarrollo relativo, y sólo una década
atrás, Portugal ocupaba un lugar superior al de Grecia e Irlanda en el
ranking de la UE. Pero en 2001, fue cómodamente superado por esos dos
países, mientras España ya se ubica a poca distancia del promedio del
bloque.
(...)
'La fuerza laboral portuguesa cuenta con menos educación formal que los
trabajadores de otros países de la UE, inclusive los de los nuevos miembros
de Europa central y oriental', señala el documento.
Todos los análisis sobre las cifras invertidas coinciden en que el problema
central no está en los montos, sino en los métodos para distribuirlos.
Portugal gasta más que la gran mayoría de los países de la UE en
remuneración de empleados públicos respecto de su producto interno bruto,
pero no logra mejorar significativamente la calidad y eficiencia de los
servicios.
Con más profesores por cantidad de alumnos que la mayor parte de los
miembros de la OCDE, tampoco consigue dar una educación y formación
profesional competitivas con el resto de los países industrializados.
En los últimos 18 años, Portugal fue el país que recibió más beneficios por
habitante en asistencia comunitaria. Sin embargo, tras nueve años de
acercarse a los niveles de la UE, en 1995 comenzó a caer y las perspectivas
hoy indican mayor distancia.
Dónde fueron a parar los fondos comunitarios?, es la pregunta insistente en
debates televisados y en columnas de opinión de los principales periódicos
del país. La respuesta más frecuente es que el dinero engordó la billetera
de quienes ya tenían más.
Los números indican que Portugal es el país de la UE con mayor desigualdad
social y con los salarios mínimos y medios más bajos del bloque, al menos
hasta el 1 de mayo, cuando éste se amplió de 15 a 25 naciones.
También es el país del bloque en el que los administradores de empresas
públicas tienen los sueldos más altos.
El argumento más frecuente de los ejecutivos indica que 'el mercado decide
los salarios'. Consultado por IPS, el ex ministro de Obras Públicas
(1995-2002) y actual diputado socialista João Cravinho desmintió esta
teoría. 'Son los propios administradores quienes fijan sus salarios,
cargando las culpas al mercado', dijo.
En las empresas privadas con participación estatal o en las estatales con
accionistas minoritarios privados, 'los ejecutivos fijan sus sueldos
astronómicos (algunos llegan a los 90.000 dólares mensuales, incluyendo
bonos y regalías) con la complicidad de los accionistas de referencia',
explicó Cravinho.
Estos mismos grandes accionistas, 'son a la vez altos ejecutivos, y todo
este sistema, en el fondo, es en desmedro del pequeño accionista, que ve
como una gruesa tajada de los lucros va a parar a cuentas bancarias de los
directivos', lamentó el ex ministro.
La crisis económica que estancó el crecimiento portugués en los últimos dos
años 'está siendo pagada por las clases menos favorecidas', dijo.
Esta situación de desigualdad aflora cada día con los ejemplos más variados.
El último es el de la crisis del sector automotriz.
Los comerciantes se quejan de una caída de casi 20 por ciento en las ventas
de automóviles de baja cilindrada, con precios de entre 15.000 y 20.000
dólares.
Pero los representantes de marcas de lujo como Ferrari, Porsche,
Lamborghini, Maserati y Lotus (vehículos que valen más de 200.000 dólares),
lamentan no dar abasto a todos los pedidos, ante un aumento de 36 por ciento
en la demanda. Estudios sobre la tradicional industria textil lusa, que fue
una de las más modernas y de más calidad del mundo, demuestran su
estancamiento, pues sus empresarios no realizaron los necesarios ajustes
para actualizarla.
Pero la zona norte donde se concentra el sector textil, tiene más autos
Ferrari por metro cuadrado que Italia.
Un ejecutivo español de la informática, Javier Felipe, dijo a IPS que según
su experiencia con empresarios portugueses, éstos 'están más interesados en
la imagen que proyectan que en el resultado de su trabajo'.
Para muchos 'es más importante el automóvil que conducen, el tipo de tarjeta
de crédito que pueden lucir al pagar una cuenta o el modelo del teléfono
celular, que la eficiencia de su gestión', dijo Felipe, aclarando que hay
excepciones.
Todo esto va modelando una mentalidad que, a fin de cuentas, afecta al
desarrollo de un país', opinó.
La evasión fiscal impune es otro aspecto que ha castrado inversiones del
sector público con potenciales efectos positivos en la superación de la
crisis económica y el desempleo, que este año llegó a 7,3 por ciento de la
población económicamente activa.
Los únicos contribuyentes a cabalidad de las arcas del Estado son los
trabajadores contratados, que descuentan en la fuente laboral. En los
últimos dos años, el gobierno decidió cargar la mano fiscal sobre esas
cabezas, manteniendo situaciones 'obscenas' y 'escandalosas', según el
economista y comentarista de televisión Antonio Pérez Metello.
(...)
Estos números indican que por cada seis euros que pagan al fisco, 'le roban
nueve a la comunidad', pues estos profesionales no dependientes deberían
contribuir con 15 por ciento del total del impuesto al ingreso por trabajo
singular y sólo tributan seis por ciento, dijo Malheiros.
(...)
Si un país 'permite que un profesional liberal con dos casas y dos
automóviles de lujo declare ingresos de 600 euros (738 dólares) por mes, año
tras año, sin ser cuestionado en lo más mínimo por el fisco, y encima recibe
un subsidio del Estado para ayudar a pagar el colegio privado de sus hijos,
significa que el sistema no tiene ninguna moralidad'.


24 julho, 2008

20 julho, 2008

19 de Julho de 2008

A caminho da festa dos 23 anos, em Colónia.
Paralelamente, muitas despedidas de solteiro se festejam nesta cidade, particularmente nos comboios. O noivo tem uma t-shirt cor-de-rosa, os restantes uma cor diferente. Obrigam-no a recolher dinheiro por alguma coisa - neste caso, para lavar a janela. Quando chegou à nossa, o Thiagão do Recife lembrou-se de dizer que eu fazia anos e que por isso podiam fazer um desconto...

:)



Vielen Dank!

13 julho, 2008

Terra à vista

« ... Diogo lembrou-se inesperadamente de um poema de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, o seu poeta de cabeceira:

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações...

Não se lembrava do resto do poema, sabia apenas que se chamava "Lisbon revisited" e que Pessoa o havia escrito cerca de dez anos antes (...). Mas aquele poema, em particular, parecia-lhe resumir toda a angústia, que era também a sua, entre o desejo de partir de uma pátria mesquinha e fechada sobre si mesma e um mundo aberto mas onde um português seria sempre, de alguma forma, um náufrago de Pátria. Nesse dilema, nessa incapacidade de sobreviver em paz fora de Portugal ou de se sentir vivo em Portugal, Pessoa definhara como obscuro empregado de comércio da Baixa lisboeta (...) »

Miguel Sousa Tavares,
in Rio das Flores

25 junho, 2008

De volta a casa


Aqui tanto os programas como os propósitos são diferentes. Pensando estar em Portugal, teria sido impossível fazer a viagem de mais de 500 km entre Bonn e Leipzig com um tal de Marco Dittrich, que conheci dois dias antes no tal "site de boleias" da Internet e que nunca antes tinha visto. Uma pessoa tem um carro e propõe o seu percurso a outras pessoas interessadas em dividir as despesas. Assim, em vez de 90 € de comboio só de ida, paguei 50 € de ida e volta e ainda dei uma mãozinha ao ambiente.

A experiência é engraçada. O rapaz, estudante de economia de 25 anos, ficou muito curioso sobre a vida em Portugal. Levou uma barrigada de crise e gastronomia de tal ordem que ao fim de 4 das 6 horas de viagem já estávamos cansados de conversar.

Quando entrámos no estado de Sachsen (Saxónia) senti-me como em casa. Tudo cheira a construção e não a construído. Não há grandes cidades à volta como na Renânia no Norte. Ali (ainda) é leste, embora o progresso seja evidente. Muitas vezes tenho de ser eu, a portuguesa, a convencer os alemães "ocidentais" que o tal "leste", onde eles pensam que nem se aprende alemão decente, é de facto lindíssimo, verde sem fim, onde as pessoas poupam mais mas também não ambicionam tanto, onde não se olha a roupa ou o carro. Lembrei-me que foi essa distância da sociedade portuguesa (e sobretudo lisboeta) que mais me fascinou naqueles 10 meses "no leste": os impostos que começo agora a pagar neste país têm uma boa taxa a cair sobre este outro lado do antigo muro, mas se os alemães "ricos" se queixam, eu até esboço um sorriso. Contribuo assim para a "minha" cidade.

Durante a viagem invadiu-me uma imagem de Leipzig que só à entrada da cidade se desvaneceu. Pensei convictamente que aquela cidade de estudantes estaria totalmente deserta, onde eu só encontraria a Julia, o João e a Franziska e absolutamente mais ninguém. Seriam três pessoas a viver "sozinhas" naquela cidade onde conheci 300 ou mais que agora estão espalhadas pelo resto do mundo.

Mas não. A cidade ainda vivia como antes. Vi os carros simples, os Straßenbahn do tempo da RDA, pessoas (tão!) diferentes, estradas ainda não tratadas e a calçada também dos antigos comunistas.

Ao estacionar o carro na Brockhausstraße, no bairro de Schleußig que não conhecia, ouvi uma porta bater e um grito: "Tanaaaaaaaaaaa!!!"

Era a minha Ju, a minha loirinha sardenta, a minha alemã com marcas fortes de lusa. Duas saudosas da luz de Lisboa.

Tinha preparado espargos à moda germânica, com batatas cozidas, molho holandês e uma fatia de presunto. A casa era linda, tipicamente de Leipzig, com pé alto, divisões grandes, madeira que range e portas largas. A varanda dava para um jardim interior - para o tal verde que só aqui existe.

Conversámos, conversámos... conversámos como nos velhos tempos, desde a última vez que nos vimos, há um ano, no aeroporto de Halle.

Acordar em Leipzig. De manhã estive sozinha, ela foi para uma aula. O cansaço não me venceu, porque a vontade de sair era enorme. Estava a chover, e que mal tem isso? De volta a LE, tudo o resto era relativo. Abri o chapéu de chuva e andei o mais depressa que pude até reconhecer algum espaço. Era tanta a pressa de rever os meus cantos que nem me perdi, apesar do meu péssimo e famoso sentido de orientação.

Fui sempre andando pelo verde, onde tudo parecia igual... até que de repente avistei o lago, os patos, a pequena ponte de onde se vê o Neues Rathaus e a torre da MDR, essa querida ponte onde em Novembro daquele ano registei uma visita da República Checa.


A manhã ainda era fresca, o parque estava vazio e ali mesmo, à esquerda, revi as tochas, as toalhas de pic-nic, os parabéns cantados à Dê-bo-rrá em várias línguas, o sol a pôr-se às 23 h, o bolo feito pela Laura e os telefonemas de "casa".

A nostalgia de uma portuguesa saudosa, ali ao som da chuva miudinha, debaixo do chapéu... onde choveu da mesma maneira.

Respirei fundo e segui a caminhada. Ao passar na biblioteca Albertina fotografei a fachada, sorrindo. Um rapaz esperou que eu fizesse o clic e olhou admirado, como quem diz "de facto a biblioteca é linda, mas quem me dera não ter de entrar aqui a estas horas num sábado".


E logo depois a cúpula azul, a memória de todos os caminhos ali percorridos, em todas as direcções, em todos os meses, com livros ou patins, sozinha ou acompahada. Naquela Beethovenstraße confirmei todos os dias que vivia numa cidade de estudantes.

Assim segui para a rua dos estudantes por excelência, a longa e animada Karl-Liebknechtstraße (ou simplesmente "Karli"). Caminhei pelo passeio sem tirar os olhos do espaço de estrada esburacada onde tantas vezes pedalei a caminho de filmes com chocolates, encontros internacionais ou jantares do curso de alemão.

Passei numa das inúmeras padarias (as mesmas que mais fazem falta aos alemães que vão para Portugal), comprei uns pães de sementes e segui para casa do João, o sortudo que ficou em LE, cujo andar reconheci de imediato pela bandeira portuguesa na janela.

Mais uma casa tipicamente lipsiana, de pé alto, soalho de madeira com ruídos, quartos enormes, plantas na cozinha e o mapa-mundo na parede.


Contou-me do noivado, contei-lhe do outro lado da Alemanha e recomendei que aproveitasse bem aquela cidade. As saudades vão ser muitas. Enquanto isso comíamos pão com queijo "da terra", ovos mexidos com cebola e tomate e bolo de cenoura...

De barriga cheia preparámo-nos para ir ao centro. Desci as escadas a correr como uma criança. À porta ali estava ela... mal se aguentava em pé, meia preta meia rosa, sem a campainha que levei para Lisboa de recordação, agora sem cesto... era ela, a minha bicicleta, que só se olhar já parecia fazer ruídos de travagens difíceis e mecânica atrofiada.


Pedalei feliz como uma criança pela tal Karli esburacada, passei pelo Neues Rathaus, fiz curvas entre as pessoas que passeavam no centro num sábado à hora de almoço. De volta à Altes Rathaus com as suas cores vivas, de volta à calçada cinzenta que vai dar, SIM!, à Augustusplatz, palco de tantos encontros, despedidas, fotografias, caminhos para as aulas às 8 da manhã com temperaturas negativas... e ali me deixei encantar pelas imagens e os cheiros daqueles meses maravilhosos.

Não resisti depois a subir até à Bayerischer Platz, a subida que outrora me cansava e desta vez só me deu adrenalina, segui sempre a direito pela Straße des 18. Oktobers a sorrir como uma tolinha até virar a esquina pelo Rewe, onde tantas vezes me cruzei com a Caroline, a Maria, a Laura, o Hektor... não ia vê-los desta vez, pois segui em frente, parei em frente à residência da Tarostraße que me acolheu durante 5 meses e liguei à Família que ali passou o Natal comigo.

Pouco depois estava a Ju a mostrar-me cantos de LE que eu não conhecia, um Apfelstrudel junto aos canais, um sol arrefecido mas agradável e conversas a pedalar lado a lado, de regresso.
Não há tempo a perder, tudo tem de ser (re)visto. Ao fim da tarde estava na minha antiga varanda da Frommannstraße, o palco do segundo semestre da experiência da minha vida, a varanda da qual me despedi a 27 de Julho de 2006 onde nunca imaginei que menos de um ano depois estaria novamente. Ali, com a Franziska e o seu abraço a cumprimentar a sua "meine kleine" (minha pequenina), de volta a uma companheira de casa que tem prazer em cozinhar - em grandes quantidades para o pequeno monstrinho que viveu consigo.

E eu que, na minha ingenuidade, pensei que teria de deixá-la dormir cedo para o seu turno da manhã, fui surpreendida com um "não interessa o trabalho, não é todos os dias que estás aqui". E aí, sim, confirmou-se o estereótipo da amizade que em tanto bate certo com a maneira de ser deste povo: é a sério, é a sério. Danke, Zisse!


Com sono e barriga a rebentar, pedalámos novamente lado a lado, eu e Ju, em direcção à Südstadt. Precisava de percorrer a Karli de noite. Passei pelas esquinas e ruas perpendiculares de ex-Erasmus, um silêncio de ausência no ar, no entanto com o ânimo que caracteriza a Karli, sofás nas esplanadas, bicicletas a andar e a estacionar e música a tocar. Deixámo-nos escorregar até ao Clara-Park, onde uma qualquer festa Reggae estaria a decorrer... sem luz sobre os pedais, cheiro a mato denso, sem ver um único obstáculo na estrada lá nos deixámos ir, a Julia a rir-se do meu pavor, caminhos estreitos, tropeços em pequenos troncos e ali está a música, num relvado escondido com duas tendas de cerveja e música a tocar.

Um outro mundo: gente isolada, lua cheia por cima, céu cheio de claridade, jovens à volta de fogueiras, nós e as bicicletas!


Leipzig é assim. Faz parte de um outro mundo. E antes que as lembranças de um fim-de-semana mágico se pudessem desvanecer, ali estava eu de novo, no Clara Park na manhã seguinte, a tomar um pequeno-almoço em toalha de piquenique junto ao lago. Aí, de barriga cheia, não pude reclamar por ter de... regressar. Como sempre.


(Obrigada, minha loirinha com sardas!)

17 junho, 2008

Quero lá saber

Como se tivesse um monte de papéis na mão e os quisesse atirar todos para o ar. "Que se lixem os combustíveis", li eu há dias. Que se lixe a previsão do tempo, se o céu estiver estrelado de véspera teremos sorte. Que se lixe se descobrirem que fujo ao horário de trabalho.
A porcaria do comboio chegou hoje de manhã 17 minutos atrasado. Não é muito normal, está certo. Mas o que é menos normal é, ao fim de apenas 3 minutos de atraso, já estar toda a gente a fazer o drama das suas vidas. "Die Bahn hat Verspääätuuuuungggggg"!!! Só aí já fizeram descer a esperança média de vida 1 ano. E só um caos destes para fazer os alemães falarem de manhã.
Não me peçam para suportar isto dois dias depois de vir da minha casa. Mas por que é que não faltaram os combustíveis para o avião se ter atrasado mais uns dias? Ou melhor, levem os alemães para a minha terra para eles colherem umas batatas de que se queixar!
Volta a pressão, traduz mais um pouco, não chegues atrasada, passa no supermercado senão amanhã não tens pequeno-almoço. Ah, sim, e prepara-te porque dentro de duas semanas o chefe vai perguntar o que queres fazer do teu futuro. Aguente-se, que primeiro tenho de ter tempo de perguntar a mim mesma. Agora que aprendi a não sofrer por antecipação é que começam com pressões?
Que se lixem as decisões. A Espanha entrou em solidariedade com o país vizinho e vamos afundar os dois. Pelo menos não gastamos tanto em transportes, estamos perto de água.
Eu queria era ainda estar em casa. Que se lixe, amanhã já passa. Além disso não vai haver Podolsky nem Ballack que atravessem o Ricardinho Carvalho e aí é que eles vão ver como é possível ter sucesso se se relaxar de vez em quando.
Se perdermos, que se lixe, pelo menos já estamos habituados. A crise vai continuar e eu também vou ficar por aqui.