29 novembro, 2005
Visitem o nosso cantinho jornalístico!
20 novembro, 2005
Refúgios
Todos nós sentimos falta de um. Nem que seja por um momento na vida. Esses momentos que os spots e as folhas de imprensa a anunciar telecomunicações mencionam. O fracasso amoroso, a consciência da efemeridade da vida, as indecisões, as grandes decisões, as grandes desilusões. As experiências, os estados de espírito, a alegria, a apatia, a angústia.
A reflexão. Precisamos de refúgios para reflectir. Precisamos de um espaço de isolamento, no seio desta massa de espaços onde ninguém se une. Apesar de tudo ainda resiste a consciência de que temos uma interioridade e uma exterioridade. A interioridade que revela com uma transparência cruel as nossas fraquezas, os nossos pecados, os nossos erros conscientes. Mas só expressamos os orgulhos feridos, as cobranças, os podres de uma essência cada vez mais egoísta.
É permanentemente urgente esse espaço de refúgio onde escondamos todo o nosso cinzento. Mas nem nesse grito interior somos iguais, para sempre criadores e vítimas da discrepância de direitos. Feliz de mim que tenho uma cama onde me deito, acolhida, protegida e quente, onde sussuro ou soluço à minha almofada todas as nuvens carregadas do meu dia. Os que não têm essa almofada - como aqueles que regelam neste preciso instante debaixo da chuva, cujo som hipocritamente me delicia, quente sob o edredão - não dormem quentes, antes adormecem a sonhar com esse momento.
Eu saboreio cada vez mais este prazer pela reflexão, por este egocentrismo que não precisam de me denunciar, porque o descrevo gritantemente para dentro de mim sem pedir a ninguém que o oiça.
Eu agradeço hoje ao Céu por saber que posso correr para este espaço, que é meu, quando eu quiser, durante o tempo que eu quiser, e pedir-lhe que oiça a minha alma.
Hoje, quando me angustio, é aqui que renovo a vontade de sorrir e é aqui que ganho a plenitude que em tão pouco me caracteriza. Quando posso, refugio-me em mim neste refúgio. Ando, caminho, pedalo ou simplesmente páro a sentir o aroma da lenha queimada que sai das chaminés, qual aconchego de um lar que se esvai no ar pesado de Inverno. Nesses momentos, em que o espírito das famílias se mistura com o respirar dos pinheiros e o silêncio da fauna, relembramos a unidade da Natureza, tão mal tratada, mas que ainda assim acolhe os frutos de todas essas casas.
Todos esses fios de fumo têm origem em lares diferentes, em rotinas e pessoas diferentes, mas todos eles sabem que se aliviam justamente na viabilidade da sua união. "Diversidade não é dispersão". Não nos refugiamos por termos um problema grave, mas por termos uma maneira específica de lidar com um problema que é partilhado por tantas outras pessoas, outros indivíduos, transeuntes, vultos que se nos atravessem ou não.
Conheço o alcatrão que piso e acho-o feio. Frio. Sei porém que ele marca o tempo em que existo, este tempo tão estrutural que ninguém domina. É sobre ele que caminho e dele que admiro e devoro a pouco e pouco o luar que se completa ou o sol que se põe, tão longe de onde me posiciono, no meu refúgio, a reparar a sua distância através das ramagens dos pinheiros.
É noite e o céu emite luz. Do meu refúgio vejo as estrelas que a Lisboa que amo não me mostra.
É assim que funciona. Da Lisboa que me constrói, que me apresenta aos outros, que me faz feliz e infeliz, refugio-me para fora dela, para onde possa falar dela para mim, sobre mim e sobre o meu mundo, porque o meu refúgio é só meu. Para ele sou eu quem interessa e ele não interessa a mais ninguém.
Levo para Lisboa o que dele trouxer. Claro.
15 novembro, 2005
Visitem sff!
Obrigada!
04 novembro, 2005
Um olhar para o futuro
Ouvem-se gritos entre os membros da família que dirige o bar, a discutir sobre as mesas que falta servir. Rapazes com boné na cabeça atravessam a esplanada a correr, sem nada fazerem para repor no lugar as cadeiras que desarrumam. “É isto que me atrai”, diz esta estudante de Ciências da Comunicação. “Estes pequenos grandes quadros que espelham a sociedade. A pobreza, a ausência de oportunidades educativas que estas pessoas tão bem transparecem. Mas também gosto de me pôr a analisar o Mundo na generalidade, obviamente de forma modesta”.
Débora é uma jovem de vinte anos que tem como objectivo lutar para alcançar um lugar no jornalismo. Acredita que o curso seja um bom passaporte para esta profissão. Daquela espalanada, o horizonte que visualiza fá-la relembrar esse esforço, que persiste desde a infância. “Na altura em que ainda não tinha sequer entrado para a escola primária, dava por mim a riscar com imensa raiva um quadro a giz que os meus pais me tinham dado para desenhar”, conta, remexendo uma caneta entre os dedos. “Queria fervorosamente saber escrever, porque me fascinava a imagem que tinha daquelas linhas com palavras de letras arredondadas”. O gosto pelo prática jornalística não tardou quando, num dia dessa infância, numa viagem de carro por Lisboa em hora de ponta, Débora ouviu o seu pai falar sobre a azáfama que lhe está associada.
O tempo e a experiência rapidamente fizeram com que esta estudante se apercebesse dessa dinâmica de trabalho que a sua aspiração exige. A confrontação permanente com o pai, que hoje a aconselha a procurar oportunidades além-fronteiras, é o seu grande quebra-cabeças: “Com a crise que tem desgastado o nosso país sou obrigada a pensar que mais facilmente tenho sucesso lá fora, mas não me imagino longe das raízes que aqui criei a todos os níveis”, lamenta.
A família que tem e aquela que gostaria de construir um dia, assente numa rotina saudável choca com a sua vontade de contar histórias de vida de pessoas que vivam noutras culturas. Pesa também o facto de ter estudado em colégios católicos durante doze anos, o que incutiu nela um espírito de entrega e de sensibilidade que admite ser um entrave ao espírito aventureiro. “Costumo autodesignar-me de diletante, porque a minha vontade de executar coisas concretas fica apenas pelo papel, na maioria das vezes. Parece que não levo a sério os meus próprios desejos, ou então estou precisamente à espera que o tempo me ensine a «sair da minha concha», como costuma dizer o meu pai”.
É esta luta contra a sua própria resistência que move Débora hoje a tentar efectivar alguns anseios. A blogosfera e a aprendizagem de novas línguas fazem-na sentir-se mais perto do sonho de um dia ver a sua crónica publicada, por exemplo, na revista Única do jornal Expresso. Adorou as duas viagens que fez aos Estados Unidos, uma à Florida, outra a Nova Iorque, pela impressão de imponência que o poder americano provocava no espírito de uma criança em crescimento. Adoraria repeti-las hoje, para então ver tudo com um sentido crítico mais apurado.
Não há nada mais aliciante na vida desta jovem do que olhar para um quadro do seu quotidiano e imaginar como poderia escrever sobre ele. Diz mesmo que é sua frustração não conseguir manter uma conversa com alguém ou meramente passear na rua sem tomar atenção ao modo específico como as coisas e as pessoas se movem. “Adoro ir no metro e descrever mentalmente o passageiro que segue à minha frente, ou apreciar o silêncio de uma carruagem apinhada de gente”, relata, com um brilho entusiástico nos olhos castanhos. “Mas também gostava muito de conseguir quebrar esse silêncio e encher aquelas pessoas de perguntas, de ouvi-las falar das suas vidas, especialmente aqueles que parecem mais sozinhos, como os pedintes. Sei que nunca terei muita coragem para isso. Então habituei-me à ideia de escrever sobre aquilo que observo em silêncio”. Fica a esperança de, um dia, chegando sozinha à América, ter coragem para investigar tudo o que observou na idade da inocência.
Débora vive os seus anos académicos a sonhar com alguma estabilidade na vida incerta que se lhe avizinha. Acorre muitas vezes àquela esplanada para saborear um bom peixe grelhado com a família. Horas depois escreve sobre aquilo que vê: a nacionalidade dos empregados, o grupo de jovens que por ela passa a dizer palavrões em voz alta, o surfista que não olha senão para o mar, as gaivotas que afluem à beira-mar quando os pescadores recolhem as redes cheias de peixe. Sente inveja dessas gaivotas quando olha o horizonte e alimenta aquela vontade de atravessar o Atlântico, para um destino onde possa amadurecer as suas observações. “Queria ser como elas”, suspira a jovem. “Voam por este mar fora à procura de peixe, mas fazem do seu ganha-pão um conhecimento aventureiro do mundo, sem por isso precisarem de se afastar dos seus companheiros...”
Para contrariar esta quimera, é na racionalidade que procura soluções viáveis. Embora ninguém da sua família trabalhe na área da comunicação, Débora considera que a partilha de experiências profissionais não pode deixar de ser uma mais-valia. A irmã arquitecta, o pai engenheiro civil e sobretudo a mãe médica inspiram todos os dias a sua escrita com novas histórias para contar. É com o desejo de escrevê-las fervorosamente antes do fecho da edição do jornal que cresce a cada dia nesta estudante a vontade de dinamizar as suas ideias, para além do simples olhar e do canudo no final do curso – que tantos consideram suficiente para o sucesso profissional.
Assim como observa o mar que se estende diante dela, Débora fica atenta às oportunidades, na esperança de que uma gaivota a acompanhe até um destino onde possa viver do que escreve e então construir uma família feliz.
30 outubro, 2005
O fim do mundo
18 outubro, 2005
Sorriso procura-se

Nunca mais o vi.
Não sei porque me arrasto desta forma há tanto tempo. Há mais de um mês que os meus pés transbordam da cama. Não quero ouvir, não quero ouvir repetir, não quero ver o que via há tão pouco tempo. Desnecessito dessa euforia, desse rescaldo de férias para os próprios amigos. Nem sequer me apetece perguntar. Não me apetece ouvir, contar, ouvir, contar, criticar, rir, conversar. Nem dialogar, nem conviver. Não quero um café relaxante, muito menos uma música estridente a tirar-me a noite de sono tranquilo. Na minha cama, nos meus lençóis, na minha almofada só minha.
Mas nem isso me deixam fazer. Tenho de me levantar todos os dias quando ainda converso com a minha almofada. (Até isso eu deixo a meio). Arrasto-me novamente para essa regra, esse curso de regras, este percurso que não me ensina as regras para aguentá-lo e sobretudo esta regra tão minha de não conseguir, de não acreditar, de não saber fazer mais. De não sorrir.
Desmotivo. Com tudo, com toda a gente, comigo mesma. Não me apetece ouvir-me, então calo-me. Não me apetece sequer ouvir o ecoar dos meus pensamentos dentro de mim, então olho para baixo e choro. Como se o soluçar abafasse o que penso. Parece que eu já nem penso em nada, que deixei de raciocinar. Todas as minhas ideias ficam pela metade, ou são turvas demais para que alguém as entenda. Libertar esta minha ampla frustração resulta sempre num desabafo pobre, durante uma conversa inoportuna. Então as ideias apodrecem e no dia seguinte já não me lembro de onde vieram.
Corro e salto desenfreada. Eu esforço-me, sei que me esforço. É incrível como nem a desmotivação me deixa ser desorganizada, tal é o pânico de me perder de vez. Talvez deva ver isso como uma contra-atitude, como a vontade de transpirar todas os pensamentos apodrecidos. Cinzentos e feitos cinza. Mas parece que nem isso resulta, porque logo depois esfrego a pele, deixo-me encharcar e fecho os olhos em busca de uma nova ideia, mais colorida e... possível. A desmotivação impede-me. Baixo novamente a cabeça e as lágrimas misturam-se com a água. Vivo na ilusão de as disfarçar, mas o doce é o oposto do salgado...
Não quero falar sobre isto. Outrora senti saudade daquela conversa confidencial, mas hoje, agora, não me serviria de nada. Deixei de saber falar espontaneamente. Os pensamentos correm mas a neblina desta alma confusa não os deixa passar para a voz, esta voz trémula e insegura. Esta alma fria que aproveita o vento invernoso para se esconder ainda mais, sob o casaco e o guarda-chuva. Esta alma que corre na esperança de avivar o ânimo quando sente o aroma das castanhas assadas... e que abranda, frustrada, quando esse empurrão se desvanece, assim, num segundo. Sem saber porquê.
E no entanto falo aqui. Falo aqui à mercê de todos os olhos do mundo que entendam este dialecto - responsável por tantas das minhas dúvidas. Não quero que vejam esta fraqueza tão exposta, mas quero lá saber, este clic é a hipótese mais próxima que tenho de me obrigar a levar alguma coisa até ao fim. Se quem eu não queria que lesse, ler, paciência. Talvez essa libertação sirva de bofetada para esta birra cinzenta, muda e sem motivo. Digo a todos que sim, estou "assim", ou melhor não estou, não contem comigo na vossa animação. Não sei acreditar, não encontro essa estima pessoal nem o estímulo para esse encontro. Não sei como aprender, não apreendo nada do que me ensinam, não consigo mais dizer o que penso e parece que já não há palavras que me convençam de que presto. Não consigo responder ao "que tens?", pois não tenho nada. Pelo contrário, falta-me. Falta-me vivacidade, clareza, ego, vontade, coragem, talento, alegria.
Falta-me um sorriso. Que não sei onde está nem vou procurar. Não me apetece.
14 outubro, 2005
Canoa...
Que quando morre uma andorinha, não acaba a Primavera...
27 setembro, 2005
O baloiço
Uma manhã de terça-feira em Monsanto faz adivinhar a reduzida quantidade de pessoas, e acredito que só assim me sentiria inspirada. Inspirada por um ar puro vindo do pulmão desta linda cidade, não, não é o Central Park de Nova Iorque nem o Ibirapuera de São Paulo, mas é igualmente um espaço verde como tão poucos e tão pouco estimados aos quais temos acesso.
Mais do que respirar aquele ar fresco, senti um arrepio nostálgico a invadir-me os poros ao lembrar a infância que deixei para trás. Lembro-me de ter festejado lá um aniversário, daqueles em que a vela do bolo tinha um só algarismo, de ter juntado os meus amigos do Externato (sempre o Externato!...), de ter sentido a atenção dos meus Pais quando o perigo dos brinquedos ameaçava. Lembro-me da minha prima Rita, que ainda não era brasileira, a cair no lago que separava a pequena casinha do pequeno barco para piquenique. A sentir-se envergonhada em frente aos meus amigos tão mais velhos do que ela, julgávamos.
Hoje percorri o labirinto com paredes feitas em troncos de madeira e reparei que em menos de cinco segundos cheguei ao centro. Era tão bom quando as coisas nos pareciam maiores, é tão propício à reflexão reparar que hoje o tamanho daquele labirinto me pareceu minúsculo. Olhei de relance para as cabanas piramidais dos índios e lembrei-me do receio com que antes as observava, de longe. Não me imaginava longe do alcance do olhar preocupado da minha Mãe.
Bebi água num daqueles bebedouros que antes a jorravam a tempo e inteiro e que hoje pedem a abertura da torneira. "Antes", sim, quando mais gente enchia aquele parque e quando não se ouvia falar em seca e escassez de água. "Antes" também quando eu não sabia o que era a pedofilia, tendo pensado que ela surgiu quando me ensinaram o que significava.
O baloiço cor-de-rosa foi o que me trouxe mais saudade. Sentei-me naquele pequeno pedaço de madeira que parecia tão grande na altura em que vestia saias de pregas e meias arregaçadas. Baloicei e revivi a sensação de o fazer naquele Externato, confrontando as minhas amigas a voar mais alto.
Hoje senti que já voei. Já voei dessa tenra idade em que comia bolo de côco por quarenta escudos, depois da oração da manhã com a Ester. Já não uso a bata preta com o cinto encarnado nem escrevo em diários perfumados quando chego a casa. Já não guardo os dentes de leite que outrora escondi atrás da porta à espera que a fada lá deixasse uma surpresa. Não corro desenfreada para a porta quando vejo o meu Pai a chegar do trabalho, refilando por ele demorar tanto tempo a voltar dos "tostões". Porque hoje substituo a corrida das pernas de uma criança por um pensamento que corre aflito, à procura da confirmação do bem-estar daqueles que olharam por mim quando o perigo espreitou.
Sentei-me nos bancos da zona vazia de refeições, à sombra do cantar dos pássaros, e tive pena de não ter tido consciência alguma de tudo aquilo quando vivi in loco a minha infância. Bom, talvez resida aí a sua magia. No viver sem pensar, no viver quando alguém pensa por nós. Por isso mesmo não adianta avisar os mais gaiatos que aproveitem bem a sua idade. Eles não saberiam como fazê-lo.
A saudade aperta. Saudade de rir com inocência. De andar de baloiço. De ser criança.
15 setembro, 2005
PORTA - GATE

Vi jovens com mochilas grandes, prontos para dormir em tendas onde o espírito os leva. Vi outros jovens sem esse aparato, antes uns ténis e um boné fashion para passar uns dias antes da rentrée na rotina social-escolar. Vi um senhor gordo a beber cerveja e a fumar cigarrilha enquanto lia o jornal. Eram oito da manhã. Vi emigrantes, ou imigrantes, de origens e destinos que desconheço, por aquilo a que me pouparam. Vão e vêm, alguns familiares e amigos vão também, outros ficam. Talvez procurem a terra saudosa, ou vão em busca de uma outra oportunidade, ou talvez sigam o rumo que a vida desgastada lhes foi impondo, sem lhes dar tempo de pensarem nela. Vi ricos e pobres que partiriam para lugares tão diferentes neste mundo que piso.
Tive pena. Em nome da amiga que me fez visitar o aeroporto hoje, não utilizarei o vocábulo "inveja", mas a verdade é que queria ser como aquelas pessoas. Partir com agenda vazia, ou não; com planos, ou não; com data para voltar, ou não. Queria simplesmente ir. "Aterrar e sentir o cheiro de um país diferente, e logo tentar comunicar com outra cultura numa língua que não é a minha".
Precisava de consegui-lo.
É das coisas que mais estranho na minha essência. Este desejo tão forte de mudar algo em mim e não conseguir. Erasmus... seria um bom (primeiro) passo. Devia ir. Quero ir. Mas não sei se consigo.
Talvez tenha coragem, um dia. Afinal, "não tem como não ser enriquecedor". Mas por enquanto não. Por enquanto posso ir visitando o aeroporto com fins diversos: acompanhar, esperar, trabalhar, estudar. Com a frequência pode ser que me sinta tentada a ser acompanhada até lá, para partir sozinha e ser esperada um longo período de tempo depois. Nesse dia, teria tanto para contar. O tanto que se acumula dia após dia que vivo neste mesmo espaço.
É este diletantismo que sempre me vence.
10 setembro, 2005
Espírito Salesiano

31 agosto, 2005
De repente...


